Saúde – Perigo no plástico

Em contato com os alimentos, algumas embalagens liberam o bisfenol-A, substância suspeita de provocar sérios estragos no organismo — de infertilidade a câncer. Não à toa, ela virou foco de acusação nos tribunais da ciência dos quatro cantos do planeta“Por esse motivo, o Idec apoia o banimento do composto até que se comprove sua inocuidade”, reforça Oliveira. Enquanto isso não acontece, cabe à população reduzir ao mínimo o contato com essa ameaça. Ficar atento a embalagens, utensílios domésticos e orientações de uso auxilia, e muito, a tarefa de prevenção. Se o componente em questão é suspeito de fazer mal à saúde de todo mundo, existe um grupo ainda mais vulnerável aos seus efeitos danosos: o das gestantes. “O bisfenol-A se concentra cinco vezes mais no líquido amniótico da grávida”, avisa o endocrinologista Francisco D’Abronzo, da Faculdade de Medicina de Jundiaí, no interior paulista. “A substância pode prejudicar o desenvolvimento sexual dos meninos, provocando malformação de sua genitália”, exemplifica Marise Castro. Há ainda a hipótese de que ela esteja por trás de hiperatividade em meninas, especialmente quando a mãe é exposta ao bisfenol-A no primeiro trimestre de gravidez. Quem pretende ter filhos também é vítima em potencial desse agressor. “Sua ação estrogênica favorece o desenvolvimento de endometriose”, diz Marise. Trata-se do crescimento anormal do tecido que reveste o útero — o endométrio — fora dessa cavidade, o que difi culta a gestação. Pessoas com histórico familiar de problemas de tireoide e mulheres com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama também precisam redobrar a precaução. “O bisfenol-A tem uma estrutura parecida com a da tiroxina, o hormônio tireoidiano. Por isso, uma vez consumido, pode desregular a glândula”, justifica Marise. “E, por agir como estrogênio, desconfia-se de que o composto esteja envolvido no tumor mamário”, completa. “Há ainda estudos que apontam o bisfenol-A como um dos responsáveis por uma lista extensa de complicações que inclui alterações no tamanho da próstata e nos ovários, puberdade precoce no sexo feminino, diabete tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade”, acrescenta Peter Rembischevski.

POR TODA PARTE Confira a extensa lista de objetos que podem conter bisfenol-A em seu material, além daqueles relacionados com a alimentação: ›› Adesivos ›› Cadeiras ›› CDs ›› Eletrodomésticos ›› Eletrônicos ›› Peças automotivas ›› Sacolas de supermercado ›› Selantes dentários ›› Brinquedos ›› Colas

RISCO MINIMIZADO Adotar as precauções abaixo ajuda a resguardar você e sua família da exposição ao bisfenol-A ›› Ao adquirir produtos enlatados, confira se estão íntegros, sem amassados, que facilitam a liberação da substância. ›› Pelo mesmo motivo, descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite esfregá-los excessivamente com bucha e detergente ou colocá-los na máquina de lavar louças. ›› Tente substituir pratos, copos e outros utensílios de plástico. Dê preferência ao vidro, à porcelana e ao aço inoxidável para armazenar bebidas e alimentos. ›› Não esquente embalagens plásticas no micro-ondas, exceto se forem fabricadas especificamente para esse tipo de forno. ›› Não coloque itens comestíveis quentes em canecas ou recipientes plásticos. ›› Preste atenção no símbolo de reciclagem. Essa informação costuma ser estampada no fundo da embalagem. Associada a ele, há sempre uma numeração. Procure evitar as que sejam classificadas como 3 ou 7, que podem apresentar maior concentração de bisfenol-A. ›› Confie somente nos produtos certificados pelo Inmetro. ›› Não deixe os líquidos que for ingerir em contato com o plástico por longos períodos. ›› Atenção especial às mamadeiras: evite as de policarbonato. Opte pelas de polietileno.

ALERTA PARA OS BRINQUEDOS Criança adora colocar objetos na boca, principalmente bichinhos e bonecas de plástico. Mas alguns, em especial os mais macios, podem esconder o bisfenol-A, adotado por alguns fabricantes porque ele torna o material mais resistente a mordidas. Mais uma vez, vale a recomendação: “Compre apenas brinquedos atestados pelo Inmetro”, aconselha o endocrinologista Francisco D’Abronzo. “Ele pelo menos garante que o material foi fabricado dentro dos padrões de qualidade determinados pela legislação do país.”

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